2012 January
2012 January

Nesta manhã de terça-feira, 24, foram anunciados os indicados ao Academy Awards, premiação popularmente conhecida como Oscar, e nós da Straub ficamos muito contentes ao saber que a animação Chico e Rita, de Javier Mariscal, figurou entre os concorrentes ao maior prêmio da indústria cinematográfica.
Em outubro, a Straub trouxe Mariscal, multi-designer catalão aclamado mundialmente, para uma palestra que abordou a importância da criatividade em um mundo que fomenta inovação. E o designer falou sobre criatividade de forma única, combinando a sensibilidade de uma eterna criança com a experiência de um artista com 51 anos de prática multidisciplinar em áreas como escultura, ilustração; design gráfico, mobiliário, de interiores – e, claro, também cinema. No evento, que ocorreu na Estação Business School, em Curitiba, e reuniu empresários, designers, profissionais de marketing e publicitários, o artista apresentou e comentou trechos da animação Chico e Rita.
A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Hollywood realizará a entrega dos prêmios no dia 26 de fevereiro em Los Angeles. A produção de Javier Mariscal concorre na categoria “melhor filme de animação”. Nós estamos na torcida! ◘
“Chico & Rita” (de Javier Mariscal, Tono Errando e Fernando Trueba – Espanha, 2010) narra a relação de um casal na Havana dos anos 1940. Um dos destaques da produção espanhola é a música da época, que embala a história que faz uma homenagem aos clássicos do cinema hollywoodiano.

Equipe Straub com Javier Mariscal e Marcos Meier em evento sobre Criatividade na Estação Business School.
Fotos: PNB Studio/ Alex Trinks
por RODRIGO FORBECK

Foto: Rafael Forbeck
Acabei de voltar de uma viagem pela Europa e só reforcei uma velha conclusão: amo viajar. Sei que dizer isso não é novidade alguma. Quase todo mundo gosta de viagens, de viver novas experiências e trazer histórias para contar. No meu caso, o que talvez seja um pouco incomum é o foco das minhas experiências nos lugares onde visito.
Conhecer as diferenças entre as culturas e tentar compreender a razão de pessoas escolherem outra forma de viver são coisas que sempre me fascinaram. Antes de viajar para fora do país, eu atormentava os conhecidos que voltavam do exterior com uma enxurrada de perguntas sobre a experiência deles fora do Brasil. Contudo, geralmente me frustrava com as respostas pouco precisas, com a visão superficial das questões que queria esclarecer. Aos poucos, fui percebendo que a razão de ninguém me dar respostas muito satisfatórias estava no foco que esperava ter em minhas futuras viagens.
Em geral, as pessoas buscam embarcar em um mundo de sonhos durante a viagem, não se preocupando com nada além de qual será o próximo ponto turístico a conhecer. Desligar-se dos preços de itens básicos de consumo e relaxar nas férias é muito bom. No entanto, meu interesse maior sempre foi viver as trivialidades de cada lugar: experimentar o transporte coletivo, ir ao supermercado, comer nos restaurantes que os moradores da cidade comem e ver qual é o custo de vida dali. A parte operacional da viagem – a mais desinteressante para muitos – sempre foi a que mais me atraiu. Gosto de me imaginar vivendo no lugar onde visito, pensar a quais lugares iria frequentar e que produtos iria consumir naquele contexto. E, falando em produtos, quem, como eu, trabalha com comunicação e marketing, tem que levar trabalho para as férias! Não há como ignorar a oportunidade de conhecer novos produtos e novas formas de apresentá-los.
Ao chegar em um país que não conheço, corro para um supermercado. Antes de pensar em visitar um ponto turístico, vou conhecer o que está presente no cotidiano das pessoas que vivem nesse lugar. O supermercado revela muito mais sobre os hábitos e comportamentos contemporâneos de uma sociedade que os pontos turísticos ou os monumentos históricos da cidade. Os lugares mais voltados ao turismo são interessantes e nos trazem muito conhecimento, mas eles geralmente não dizem muito a respeito do estilo de vida da população que vive naquela cidade. São ambientes pensados para receber o turista. Portanto, apesar de não negar que gosto de visitá-los, eles não são o que instiga a minha paixão por viagens.
Nesta minha última viagem, passei por sete países diferentes e notei diferenças significativas entre os hábitos de consumo de cada sociedade. Na França, por exemplo, chamaram-me a atenção os produtos genéricos das grandes redes de supermercados. A rede Carrefour, por exemplo, oferece verdadeiros “clones” de chocolates populares: embalagens com o mesmo peso, barras com a mesma composição e o mesmo formato, mas com preço até 50% inferior. A mesma estratégia é usada para biscoitos, sabão em pó, água mineral, desodorantes, etc. São produtos similares aos das marcas líderes, mas com a embalagem branca, a descrição do conteúdo e uma foto. Os preços absurdamente mais baixos dessas mercadorias “sem grife” ilustram claramente o valor que as marcas consagradas agregam a seus produtos e a suas embalagens.
Já na Suíça, não há como não se surpreender com a variedade de queijos e derivados vendidos nos grandes mercados. Além dos dispostos em gôndolas, há um balcão, parecido com um de açougue, para pedir determinada quantidade das mais variadas espécies de queijo. Além disso, os estabelecimentos suíços costumam investir muito no poder da degustação. Uma pequena volta dentro do supermercado é suficiente para você experimentar dezenas de sabores novos (e vale até degustar gratuitamente queijos que custam mais de R$ 300,00 o quilo!)
Observar todas essas coisas é, para mim, a parte mais gostosa de se aventurar mundo afora. Não acho que a minha forma de vivenciar uma viagem seja a melhor, a mais correta ou a mais inteligente; é apenas diferente! O fato de cada um ter um foco distinto faz as opiniões sobre os lugares divergirem – e aí que está a graça de viajar e formar um conceito pessoal sobre o lugar visitado. ◘

O valor de uma marca: a linha Carrefour Discount, muito popular na França, traz produtos similares aos das grandes marcas por preços que chegam a ser mais de 50% inferiores. Tudo com embalagem padrão e sem nomes chamativos.
Foto: divulgação Carrefour

Pagando mico: tirar fotos dentro do supermercado, ao lado de produtos e embalagens diferentes, pode ser legal, mas as pessoas ao seu redor vão sempre achar estranho.

A Apple Store da Suíça manteve o ambiente clean e moderno no interior da loja, mas não deixou a fachada destoar o visual clássico dos comércios da rua.
rodrigoforbeck@straubdesign.com.br